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Taxa de esforço baixa para 45%: o que muda no teu crédito

A partir de 1 de agosto de 2026, a taxa de esforço máxima recomendada no crédito habitação desce de 50% para 45%. Percebe o que muda e como te preparares.

17 de julho de 2026

A partir de 1 de agosto de 2026, o Banco de Portugal baixa o limite recomendado da taxa de esforço no crédito à habitação de 50% para 45%: a soma das prestações de todos os teus créditos não deve ultrapassar 45% do teu rendimento líquido. A regra vale para avaliações de solvabilidade feitas a partir dessa data — processos já avaliados antes mantêm as condições atuais.

O que é a taxa de esforço e porque está a mudar

A taxa de esforço (também chamada DSTI, debt service-to-income) mede quanto do teu rendimento líquido mensal fica comprometido com prestações de crédito — habitação, pessoal, automóvel, cartões, tudo somado. É o principal filtro que qualquer banco usa antes de dizer sim ou não a um pedido de crédito habitação.

Desde 2018 que o Banco de Portugal recomenda um limite máximo de 50%. Agora reduz esse limite para 45%, através de uma revisão à Recomendação Macroprudencial aplicável a novos contratos de crédito a consumidores (ECO, 02/07/2026). O objetivo declarado é reduzir o risco de incumprimento das famílias num contexto em que a Euribor voltou a subir depois do Banco Central Europeu ter travado o ciclo de cortes (Público, 11/06/2026).

O que muda, exatamente, a partir de 1 de agosto

A regra não é uma lei — é uma recomendação. Os bancos podem, em teoria, aprovar créditos acima dos 45%, mas têm cada vez menos margem para o fazer e passam a ter de justificar essas decisões de forma mais rigorosa. Estas são as quatro alterações confirmadas:

  • Taxa de esforço máxima: desce de 50% para 45% do rendimento líquido do agregado familiar.
  • Regime de exceções mais apertado: antes, os bancos podiam ultrapassar o limite em 15% da carteira concedida por semestre (10% até 60% de taxa de esforço, mais 5% sem limite definido). Agora, essa margem passa a ser uma única fatia de 10% por semestre para contratos acima dos 45% (ECO, 02/07/2026).
  • Prazos máximos por idade: até aos 35 anos, o prazo máximo mantém-se nos 40 anos; a partir dos 35, o prazo máximo passa a ser de 35 anos.
  • Fim do financiamento a 100% em imóveis da banca: os imóveis que pertencem aos próprios bancos deixam de poder ser financiados a 100% e passam a seguir os limites normais de LTV — até 90% para habitação própria permanente, até 80% para os restantes casos.

Cada uma destas mudanças, isoladamente, parece técnica. Juntas, apertam o funil de aprovação em vários pontos ao mesmo tempo — taxa de esforço, prazo e entrada mínima — o que é o motivo pelo qual esperamos ver mais recusas a partir de agosto, sobretudo em perfis que já estavam no limite dos 50% antigos.

Como saber se ficas dentro dos 45%

O cálculo, em teoria, é simples: soma todas as prestações mensais de crédito que já tens (incluindo cartões e crédito automóvel) à prestação estimada do novo crédito habitação, e divide pelo rendimento líquido mensal do agregado. Se o resultado for superior a 45%, estás, à partida, fora do critério recomendado.

Na prática, há nuances que só se percebem caso a caso: rendimentos variáveis (recibos verdes, comissões), agregados com mais do que dois titulares, ou créditos que terminam em breve e que alguns bancos já não contam para o cálculo. É exatamente aqui que uma análise feita antes de ires ao banco evita que descubras o problema só depois de uma recusa.

O que fazer se ficares acima do limite

Ficar acima dos 45% não significa automaticamente um "não" — significa que precisas de ajustar alguma variável antes de avançar. As opções mais comuns:

  • Aumentar a entrada inicial, reduzindo o montante financiado e, com ele, a prestação mensal.
  • Alargar o prazo do crédito, dentro dos novos limites por idade, para baixar a prestação (com o efeito de pagares mais juros ao longo do tempo).
  • Liquidar ou consolidar créditos existentes antes de avançar com o pedido de habitação — é exatamente para isto que serve um crédito consolidado: junta o que já pagas numa prestação mais baixa e liberta margem na tua taxa de esforço.
  • Juntar um segundo titular ao processo, quando isso é possível e faz sentido para o agregado.

Nenhuma destas opções é automática nem garantida — cada banco pesa os fatores de forma diferente, e é por isso que apresentar o mesmo processo a vários bancos em simultâneo (em vez de arriscar tudo numa só instituição) aumenta as tuas hipóteses reais de aprovação.

Já foste recusado por causa da taxa de esforço?

Se já sentiste um "não" ligado à tua taxa de esforço — antes ou depois de 1 de agosto — o processo não tem de ficar por aí. Fazemos o raio-x ao teu perfil, identificamos o que pesou contra ti e voltamos à banca contigo, muitas vezes com uma estrutura de crédito diferente. Tens mais detalhe sobre este processo no nosso artigo sobre crédito habitação recusado e na página de crédito habitação.

Perguntas frequentes

A nova regra dos 45% aplica-se já ao meu processo em curso? Não, se a tua avaliação de solvabilidade já tiver sido feita antes de 1 de agosto de 2026 — nesse caso mantêm-se as condições em vigor à data. A regra só se aplica a avaliações de solvabilidade realizadas a partir dessa data, mesmo que a escritura aconteça mais tarde.

Um banco pode aprovar-me com taxa de esforço acima de 45%? Pode, mas com margem reduzida: a partir de 1 de agosto, cada banco só pode fazê-lo em até 10% do total do crédito que concede por semestre, e tem de justificar essas exceções de forma mais rigorosa do que antes. Não é uma proibição absoluta, mas a margem para exceções ficou mais apertada.

A taxa de esforço é a única coisa que o banco avalia? Não. O banco olha também para o LTV (percentagem do valor da casa financiada), o teu histórico no Mapa de Responsabilidades de Crédito, a estabilidade do rendimento e a avaliação do imóvel. A taxa de esforço é o critério mais citado, mas raramente é o único fator numa recusa.

Vale a pena adiar a compra de casa por causa desta regra? Não necessariamente — depende do teu perfil concreto. Para alguns casos, ajustar a entrada ou o prazo resolve o problema sem adiar nada; para outros, esperar por uma consolidação de créditos existentes pode fazer mais sentido. Fala connosco antes de decidir: uma simulação leva minutos e evita decisões precipitadas.

Se queres perceber, com o teu rendimento e os teus créditos atuais, se ficas dentro ou fora dos novos 45%, fala connosco — fazemos as contas contigo antes de avançares para qualquer banco.

Tens um caso parecido?

Conta-nos a tua situação. Analisamos o teu cenário e dizemos-te, sem compromisso, o que faz sentido no teu caso.